
Voltei para casa depois daquele encontro turbulento com aquele ser magnífico. Eu tinha certeza que não o veria mais.
Essa conversa de vê-lo em ''meus sonhos'' era algo muito além da minha realidade naquele momento .Eu estava com minha casa completamente arruinada , minha mãe lamentando da desgraça da guerra ,minhas irmãs idem.
Sonhos eram algo que eu só via na minha imaginação ,a questão é que eu estava completamente errada e confusa desta minha decisão precipitada.
Já eram nove horas da noite, minha mãe nos mandou depois de uma pequena ceia junto a mesa na sala de estar para a cama.
Cheguei no meu quarto , dei um beijo em minhas duas irmãs e deitei-me.
Por uns segundo pensei no que ele me disse ,dos sonhos ,todas as palavras bonitas.
Acendi o abajur ,olhei profundamente para o teto do meu quarto e...
- Minha filha já são horas de dormir , vá se deitar - brigou minha mãe
Desliguei o abajur e fechei os olhos , logo voltei a minha pequena realidade .Minha mãe andava muito só ,meu pai acabara de morrer na guerra.Eramos apenas quatro mulheres e nossa mãe tendo que nos sustentar.
Tempos difíceis esses ,já não aguentava mais viver nessa rotina ,nesse dia-a-dia sem saber se teria o que comer nos próximos dias.
Principalmente para mim ,que sempre tive do melhor .Se ver no espelho e observar que só tinha as minhas irmãs menores e a minha mãe. Mas nada...
Nesta longa noite, pensativa e pesada como foi ,adormeci logo.
Amanheceu e logo levei um susto...sonhei com um castelo, bela casa,coisas finas,antigas.
Sonhei com Massaro ,mas como eu poderia ter sonhado com um castelo? Por acaso eu era alguma princesa? Pensei por uns segundo que eu realmente era uma , com um vestido longo e brilhante ,dançando valsa com o meu príncipe.
-Sonhos ,sonhos ,somente sonhos - exclamei sozinha
Mas o mais entrigante nessa história é o que eu nem espera acontecer...
Logo pensei o que aquele sonho significaria e aonde eu poderia encontrar Massaro.
- Castelo ,mesa de jantar ,jóias caríssimas ... aonde esse sonho vai parar? -me perguntava
Eu estava muito confusa mas muito convicta que era algum sinal de Massaro para mim , da oportunidade de revê-lo .Era única e eu tinha que arriscar antes de temer qualquer coisa.
Tomei um banho e fui tomar café da manhã.
- Minha filha , como foi a noite?- perguntou minha mãe
- Ah mãe, bom mãe ,tive muitos sonhos.
- Sonhou com o que ? - dizia minha mãe enquanto lavava os pratos.
- Com um castelo , essas coisas de conto de fada.
- Hum ..quem dera minha filha que fosse verdade viver assim .
- Mãe você sabe se aqui na cidade tem castelos? -perguntei ansiosa
- Tem um virando a igreja , ao lado da floresta negra -disse ela
- Floresta negra? O que é isso? - retruquei
- A floresta negra é um lugar aonde poucos vão ,dizem que acontece coisas estranhas por lá.
- O que por exemplo mãe?
- Pessoas somem minha filha ...- respondeu ela
- Somem? Mas aonde é essa floresta?
- Como eu disse ao lado da igreja já dá para avistar a floresta , o perigo é entrar nela.
- Sei ... - respondi
- Porquê você quer saber disso Safira? Estás pensando em ir lá?
- Não ,não ,só curiosidade mãe ...
Mal sabia a coitada que eu naquele momento estava completamente decidida a enfrentar qualquer obstáculo ou desafio para encontrá-lo .Se ele me mandou esse sinal pelo sonho ,era para eu ir naquele lugar .Provavelmente ele sabia que não seria perigoso.
Quando acabei de tomar meu pão e meu café ,já estava arrumada e fui direto ao rumo da floresta negra.
Cheguei a igreja , a mesma qual avistei Massaro pela primeira vez . Observei ao redor e achei a tal floresta.
Fui andando ,andando ,andando,até avistar um grande portão de ferro bem enferrujado. Lembro-me como se fosse hoje ,no meio do portão havia um símbolo bem grande escrito Zampier .Aquela altura eu não sabia que era o sobrenome de Massaro .
Empurrei o portão com toda minha força e nada , havia um grande cadeado enferrujado também o prendendo.
Até que no meio daquelas gigantes e escuras árvores que se localizavam naquela floresta veio um senhor bem velho ,muito velho ,vestido com roupas muito velhas ,mas muito antigas ,veio em minha direção.
Ele era careca ,só sobravam alguns fios de cabelos que não tinham uma cor definida eram meio acinzentados com um leve toque de branco.
- Minha bela e doce mademoiselle, o que procuras nesta singela floresta? - perguntou o senhor.
- Estou a procurar Massaro , ele se encontra? -perguntei
- Para saberes isto ,primeiro me apresentarei .Sou o avô de Massaro , me chame de Alfred - disse
- Meu nome é Safira , mas ele está aí?
- Era por você mesmo que ele estava esperando então - disse o senhor num tom meio debochado.
- Ele está?
- Venha comigo - respondeu Alfred.
O velho senhor pegou um chaveiro de suas calças muito antigas , não era uma roupa feia mas sim muito elegante e antiga . O seu chaveiro provávelmente contia mais de mil chaves ,eu nunca tinha visto algo igual.
- Sabes qual chave abre esse portão? -pergutei
- Mas é claro.Só de olhar sabemos o que é nosso ou não ,não é mesmo moçinha?
- Realmente -respondi.
Logo acabado de falar ,o senhor conseguiu achar a chave desejada .Ao abrir o cadeado daquele gigantesco portão um barulho imenso veio junto .Devia estar muito enferrujado aquele portão.
Caminhamos pela floresta ,ela era linda ,mesmo com seus mistérios .Era intácta afinal quase ninguém entrava naquela maravilha da natureza .
- Senhor Alfred ,podes me responder uma coisa? -perguntei enquanto caminhávamos floresta a dentro.
- Mas é claro minha querida ,só não me chame de senhor .Acho que nem estou tão velho ainda! Me sinto como uma criança - disse ele ,mostrando levemente um sorriso amarelado.
- Isso é ótimo mesmo ,mas é que minha mãe quando perguntei se aqui na cidade havia um castelo na cidade ,ela disse que essa floresta é perigosa .Dizem que há pessoas que somem aqui - exclamei assustada
- Bom minha filha , como a senhorita viu aqui é propridade de uma família .Só ladrões entram aqui dentro , agora com a guerra .Somos a única família que continuou estável financeiramente e sem abalos , as pessoas ficam com inveja .
- Pior que é ,sempre quando as pessoas vêm que alguém estar melhor que elas , querem sempre tirar o que elas têm para todo mundo ficar na mesma .E ninguém melhor -respondi
- Pra a senhorita ver ,as pessoas hoje em dia são assim não podemos esperar muito a não ser de nós mesmos -disse Alfred.
- Concordo com senhor ,se vieram roubar não merecem mesmo vida boa .
- A família Zampier têm conhecidos ,quando essas pessoas entram aqui prendemos e chamamos logo a polícia em seguida.
- Correto isso , fazer justiça! -exclamei
- A justiça é certa e correta - complementou Alfred.
O difícil hoje é ver como eu era boba , uma menina praticamente e não percebia os dois lados de uma situação.Hoje sei que não podemos acreditar cem porcento em nada nessa vida , temos que duvidar de tudo para sermos mais fortes e alcançar nossas metas.Essa dica fica por mim mesma e meu longo aprendizado aqui na terra [...]
Lais Adelita